Poucas manifestações culturais conseguem reunir, no mesmo dia e em tantos lugares diferentes, artistas, estudantes, profissionais, crianças, pesquisadores e simples admiradores do desenho animado.
O Dia Internacional da Animação — DIA nasceu justamente com essa vocação: transformar a animação em uma celebração pública, acessível e internacional.
No Brasil, a iniciativa adquiriu uma dimensão particularmente importante. Através da Associação Brasileira de Cinema de Animação — ABCA, uma rede de exibições passou a levar curtas-metragens brasileiros e estrangeiros a cidades de todo o país.
E entre as cidades que passaram a integrar essa rede está São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro, onde o Estúdio Alexandre Martins teve o pioneirismo de receber o evento e colocar a cidade no circuito nacional da celebração.
A história do DIA começa em Paris.
Em 28 de outubro de 1892, o inventor francês Charles-Émile Reynaud realizou no Museu Grévin a primeira apresentação pública de imagens animadas projetadas, utilizando seu Théâtre Optique — Teatro Óptico.
Na ocasião, Reynaud apresentou, entre outras obras, Pauvre Pierrot.
A experiência antecedeu o cinematógrafo dos irmãos Lumière e ocupa um lugar fundamental na pré-história do cinema de animação. A data passou, assim, a simbolizar o nascimento da exibição pública de imagens animadas.
Mais de um século depois, essa experiência seria transformada em uma celebração mundial.
A ASIFA — Association Internationale du Film d'Animation, organização internacional dedicada à animação, criou oficialmente o International Animation Day — IAD em 2002.
A iniciativa surgiu durante a presidência do animador português Abi Feijó na ASIFA. A proposta era transformar o dia 28 de outubro em uma celebração internacional da arte da animação, homenageando Émile Reynaud e, ao mesmo tempo, criando uma ocasião que ultrapassasse os grandes festivais especializados.
O primeiro diretor do projeto internacional foi Olivier Catherin, ligado à AFCA — Association Française du Cinéma d'Animation.
A concepção era bastante democrática: não deveria ser apenas mais um festival competitivo, mas uma celebração aberta ao público, realizada em qualquer lugar e através de diferentes atividades.
Esse espírito explica muito daquilo que o DIA se tornaria posteriormente.
A ASIFA passou a coordenar a circulação internacional de filmes e a estimular seus diferentes capítulos e parceiros a organizar atividades locais.
O modelo permitia que cada país ou cidade adaptasse a comemoração às suas próprias características.
Podiam ser realizadas:
O objetivo comum era simples:
A ASIFA informa que o evento chegou a ser comemorado em mais de 50 países, em todos os continentes habitados.
O surgimento do DIA internacional coincidiu com um momento importante da própria organização profissional da animação brasileira.
Em 22 de março de 2003, foi fundada a ABCA — Associação Brasileira de Cinema de Animação.
A entidade nasceu da união de profissionais de diferentes regiões do país e assumiu como objetivos a pesquisa, o fomento, a formação profissional, a difusão, a distribuição e a preservação da memória da animação brasileira.
O movimento não surgiu do nada.
Já havia uma história de encontros, festivais, oficinas e produção independente que vinha fortalecendo a animação brasileira. Mas a ABCA representou um passo importante: os profissionais passaram a ter uma organização nacional capaz de falar em nome do setor.
Entre seus fundadores estava o animador Marcelo Marão, que se tornou o primeiro presidente da associação.
A primeira edição brasileira do Dia Internacional da Animação aconteceu em 2004, no SESC Vila Mariana, em São Paulo.
A programação inaugural apresentou uma mostra de animação e atividades destinadas a recuperar também a memória das técnicas e dos pioneiros do cinema de animação.
Entre as atrações esteve Planeta Terra, filme coletivo realizado em 1986 com participação de cerca de 30 animadores brasileiros. Também foram realizadas demonstrações de antigas "traquitanas" de animação, sombras e bonecos.
Começava ali uma das características mais importantes do DIA brasileiro:
O DIA brasileiro cresceu rapidamente.
A cada edição, novas cidades aderiam à iniciativa.
Em 2014, por exemplo, a ABCA promovia a 11ª edição brasileira, com exibições simultâneas em aproximadamente 240 cidades.
Em 2015, a 12ª edição já alcançava mais de 200 cidades brasileiras, além de dezenas de países participantes.
Em 2019, o evento comemorava sua 16ª edição.
Em 2023, chegou à 20ª edição, com mais de 100 cidades participantes naquele momento.
E, segundo a organização nacional, em 2025, o DIA alcançou sua 22ª edição, com programação em mais de 200 cidades brasileiras.
Portanto, não estamos diante de uma mostra ocasional.
Estamos diante de uma iniciativa cultural que conseguiu construir uma das maiores redes de difusão de cinema de animação do Brasil.
O DIA consolidou um formato bastante característico.
A programação oficial passou a reunir, principalmente:
Uma seleção de curtas brasileiros.
Produções estrangeiras de diferentes países.
Filmes brasileiros especialmente selecionados para crianças.
Além dessas mostras, cada cidade pode organizar atividades complementares de acordo com suas características locais.
A entrada gratuita é uma das marcas históricas do projeto desde sua primeira edição brasileira.
Um dos objetivos declarados do DIA é combater justamente uma visão limitada da animação.
Animação não é apenas entretenimento infantil.
Ela é uma linguagem artística que pode abordar:
Por isso, o DIA apresenta simultaneamente produções destinadas a diferentes públicos.
O próprio coordenador nacional Fabiano Florez já destacou que uma das missões do evento é ampliar o acesso e o conhecimento sobre o cinema de animação brasileiro e superar a ideia de que animação seria uma linguagem restrita às crianças.
A construção do DIA no Brasil foi resultado de uma ação coletiva da comunidade de animação.
Entre os nomes diretamente ligados à sua coordenação histórica está Marcelo Marão, animador, fundador e primeiro presidente da ABCA.
Marão atua como um dos coordenadores do projeto desde 2003. Fabiano Florez, produtor que atualmente integra a produção nacional do DIA. Priscila Severo, que trabalha na produção nacional desde 2007 e exerceu função na diretoria da ABCA.
Ao longo dos anos, naturalmente, a equipe foi incorporando outros profissionais e produtores regionais.
Essa característica é importante: o DIA não é obra de uma única pessoa.
É uma construção coletiva da comunidade brasileira de animação.
É justamente aqui que a história ganha um capítulo particularmente interessante.
Quando se observa a trajetória do DIA, percebe-se que seu verdadeiro alcance não está apenas nas capitais ou nos grandes centros cinematográficos.
A força do projeto está em chegar a cidades que normalmente não aparecem no circuito dos grandes festivais.
E foi nesse espírito que São Gonçalo entrou na rede nacional do Dia Internacional da Animação.
Segundo o próprio Estúdio Alexandre Martins, o Estúdio foi o pioneiro em receber o evento nacional na cidade.
A partir dessa iniciativa, São Gonçalo passou a integrar a lista de cidades que recebem e projetam os filmes selecionados para o DIA.
Esse fato merece ser valorizado na história cultural do município.
O Estúdio Alexandre Martins já possuía uma trajetória singular quando trouxe o DIA para São Gonçalo.
Fundado em 1992, o Estúdio se apresenta como pioneiro da animação na cidade e desenvolve atividades relacionadas a animação, desenho, quadrinhos e formação artística.
Portanto, sua participação no DIA não foi uma ação isolada.
Ela estava perfeitamente de acordo com sua vocação:
produzir animação e, ao mesmo tempo, criar oportunidades para que o público conhecesse a animação.
Se o Anima-São colocou São Gonçalo no mapa dos festivais de animação, o DIA colocou a cidade dentro de uma celebração internacional da própria linguagem da animação.
Há uma diferença simbólica importante entre simplesmente exibir um filme e participar de uma rede internacional.
Quando uma cidade recebe o DIA, ela não está apenas apresentando alguns curtas.
Ela está dizendo:
Esse é o significado maior do pioneirismo do Estúdio Alexandre Martins.
São Gonçalo não precisou esperar que um grande festival nacional decidisse instalar uma programação permanente na cidade.
Um estúdio local assumiu a iniciativa de trazer para seu território uma celebração que já tinha caráter internacional.
Essa ação também se encaixa em uma característica marcante do DIA.
Desde o início, a iniciativa brasileira procurou descentralizar o acesso à animação.
Em vez de concentrar a programação apenas em salas de cinema dos grandes centros, o evento foi chegando a escolas, universidades, centros culturais, bibliotecas, praças e outros espaços.
A própria organização destaca atualmente que o DIA alcança cidades de diferentes regiões do Brasil e promove integração cultural e acesso à produção de animação.
O caso de São Gonçalo é, portanto, exemplar.
Uma cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro passou a receber uma programação que conectava o público local diretamente à produção brasileira e internacional.
Para quem cresceu acostumado a associar animação principalmente aos grandes estúdios estrangeiros, o DIA oferece uma descoberta fundamental:
E ela é extremamente diversa.
Há filmes feitos em:
Há também diferentes estilos autorais.
O espectador pode conhecer, em uma mesma sessão, obras realizadas por estudantes, animadores independentes e profissionais premiados.
Essa diversidade é uma das maiores riquezas do DIA.
Mas a experiência não termina no Brasil.
A Mostra Internacional permite que o público brasileiro tenha contato com produções estrangeiras que dificilmente chegariam às salas comerciais.
Assim, o DIA funciona como uma via de mão dupla.
O Brasil mostra sua animação ao mundo.
E o mundo mostra sua animação ao Brasil.
A própria estrutura internacional da ASIFA foi concebida para favorecer esse intercâmbio de filmes entre diferentes países e capítulos da organização.
É fácil olhar para um grande evento nacional e enxergar apenas sua estrutura central.
Mas cada cidade participante depende de pessoas e instituições locais.
São elas que:
É aí que o papel do Estúdio Alexandre Martins ganha sua verdadeira dimensão.
O Estúdio não criou o DIA internacional — essa iniciativa pertence à ASIFA.
Também não criou o DIA brasileiro — sua realização nacional está ligada à ABCA e à equipe nacional.
Seu mérito específico é outro, e justamente por isso é importante:
Essa distinção histórica deve ser preservada.
A iniciativa também ajuda a compreender o conjunto das ações do Estúdio Alexandre Martins.
O Estúdio já promoveu o Festival Anima-São, o Dia do Quadrinho Nacional, o Gibi-Gon, atividades de desenho e outras iniciativas de difusão cultural.
Existe, portanto, uma linha coerente:
desenhar → produzir → animar → exibir → formar → divulgar.
O DIA se encaixa perfeitamente nessa cadeia.
Existe algo bonito nessa trajetória.
Em 1892, Émile Reynaud apresentou imagens animadas ao público em Paris.
Em 2002, a ASIFA transformou a memória daquela experiência em uma celebração internacional.
Em 2004, a ABCA levou a celebração ao Brasil.
E, em 2016, o Estúdio Alexandre Martins ajudou a fazer com que essa celebração chegasse a São Gonçalo.
É uma história de mais de um século que atravessa três continentes culturais e diferentes gerações de artistas.
Começou com uma invenção óptica.
Transformou-se em cinema.
Tornou-se uma linguagem artística.
E acabou chegando a uma cidade brasileira por meio da iniciativa de um estúdio local.
Para os artistas, o DIA é uma celebração profissional.
Para os estudantes, é uma oportunidade de descobrir novos caminhos.
Para os professores, é material pedagógico.
Para os pesquisadores, é uma janela para diferentes escolas e técnicas.
Para as crianças, é encantamento.
Para o público adulto, é uma oportunidade de descobrir que animação pode ser muito mais ampla do que aquilo que chega normalmente aos cinemas comerciais.
E para uma cidade como São Gonçalo, representa também uma conquista cultural:
A importância histórica do Estúdio Alexandre Martins está em afirmar que seu pioneirismo está justamente em:
reconhecer a importância do evento e trazê-lo para a cidade.
Ao fazê-lo, o Estúdio ajudou a romper uma barreira cultural.
Porque o acesso à animação não deveria depender do endereço onde uma pessoa mora.
Um jovem de São Gonçalo deveria poder assistir a um curta brasileiro premiado.
Deveria conhecer uma produção francesa, japonesa, argentina ou portuguesa.
Deveria descobrir técnicas que nunca havia visto.
Deveria perceber que existem profissionais brasileiros vivendo de animação.
E, principalmente, deveria poder pensar:
O DIA chegou à sua maturidade sem perder sua ideia original.
A organização brasileira informa que, em 2025, a mostra completou 22 anos de sua primeira edição, realizada em 2004, e alcançou mais de 200 cidades.
A rede continua se expandindo.
E São Gonçalo permanece registrada nessa história como uma das cidades que passaram a receber a celebração através da iniciativa local do Estúdio Alexandre Martins.
A atual programação nacional registra São Gonçalo entre as cidades participantes, com coordenação local própria, mostrando que a presença do DIA no município ultrapassou a condição de uma experiência isolada e passou a integrar a rede permanente do evento.
A história do Dia Internacional da Animação pode ser contada em uma linha:
1892 — Reynaud apresenta imagens animadas ao público em Paris.
2002 — a ASIFA cria o Dia Internacional da Animação.
2003 — nasce a ABCA.
2004 — acontece a primeira edição brasileira do DIA.
2016 - São Gonçalo — o Estúdio Alexandre Martins torna-se pioneiro em receber o evento na cidade.
Essa última etapa talvez pareça pequena diante da dimensão internacional do projeto.
Não é.
Porque grandes redes culturais só existem quando alguém, em cada cidade, decide abrir uma porta.
Em São Gonçalo, essa porta foi aberta pelo Estúdio Alexandre Martins.
E, através dela, passaram filmes, artistas, estudantes, crianças, professores e amantes da animação.
Mais importante ainda: passou uma ideia.
E essa é uma parte da história do DIA que merece ser conhecida.

Estúdio Alexandre Martins
Rua Doutor Nilo Peçanha, 110 , grupo 1101 e 902 - Centro, São Gonçalo - RJ, Brasil
