Desenhar para transformar

O Estúdio Martins, a parceria com o Atelier Leonardo Santiago e a formação de novos artistas

 

Há lugares onde se aprende uma profissão.


Há outros onde se aprende uma arte.


E há lugares que conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo.


É nesse terceiro sentido que pode ser compreendida a proposta do Curso de Desenho do Estúdio Alexandre Martins, desenvolvido em parceria com o Atelier Leonardo Santiago.


Em São Gonçalo, uma cidade que há décadas busca ampliar os espaços destinados à produção e à formação artística, a iniciativa representa algo especialmente significativo: um estúdio profissional de animação abrindo suas próprias dependências para que jovens tenham contato direto com o desenho, com a criação e com o ambiente de produção artística.


Não se trata simplesmente de colocar carteiras e cavaletes dentro de uma sala.

Trata-se de aproximar o aluno do lugar onde a arte acontece.


Um estúdio que nasceu do desenho


A história ajuda a compreender a importância dessa iniciativa.


O Estúdio Alexandre Martins surgiu em 1992, em São Gonçalo, com atuação voltada à produção de desenhos animados. O próprio Estúdio se apresenta como pioneiro e, atualmente, único estúdio de animação da cidade, mantendo desde então sua atividade ligada à produção cultural.


Ao longo dessa trajetória, o desenho esteve sempre na base de seu trabalho.


  • Antes de existir uma animação, existe um desenho.
  • Antes de existir um personagem, existe um desenho.
  • Antes de uma história chegar à tela, alguém precisa imaginar e desenhar aquilo que ainda não existe.

Essa experiência acumulada durante décadas dá ao espaço uma característica especial para o ensino artístico.

O aluno não está aprendendo desenho em um ambiente completamente separado da profissão.

Ele está aprendendo dentro de um estúdio que tem a produção de imagens como parte de sua própria história.


O encontro entre dois espaços de arte


É nesse contexto que se torna significativa a parceria com o Atelier Leonardo Santiago.


O atelier representa a dimensão do ensino e da prática artística; o Estúdio Alexandre Martins acrescenta a experiência de um espaço dedicado à animação, à produção audiovisual, aos quadrinhos e à cultura visual.


A parceria aproxima, portanto, duas experiências complementares:

o atelier como espaço de formação artística

e

o estúdio como espaço de produção e aplicação da linguagem visual.


Essa combinação é particularmente interessante para os jovens.

Quem começa a desenhar normalmente tem contato primeiro com o lápis, o papel, a observação e a cópia de referências.

Mas, pouco a pouco, surge uma pergunta:

"E o que posso fazer com aquilo que aprendi?"

É justamente aí que um estúdio de animação pode ampliar os horizontes.

O desenho pode transformar-se em personagem.

O personagem pode entrar numa história.

A história pode virar quadrinho.

O quadrinho pode transformar-se em storyboard.

E o storyboard pode finalmente chegar à animação.


O curso como porta de entrada para o mundo da arte


O próprio Estúdio Alexandre Martins apresenta o Curso de Desenho como uma atividade destinada a pessoas que desejam entrar no universo artístico, com professores graduados e experientes.

Essa proposta merece atenção porque parte de uma premissa simples:

ninguém precisa começar sendo artista profissional para começar a desenhar.


O desenho pode ser o primeiro contato de uma criança ou de um adolescente com uma linguagem artística.

Pode ser também a retomada de uma vocação abandonada.

Pode servir para quem pretende futuramente trabalhar com animação, ilustração, quadrinhos, publicidade, design ou artes visuais.

E pode simplesmente ser uma atividade de expressão pessoal.

O mais importante é criar a oportunidade.


A importância de um espaço presencial


Em uma época em que praticamente qualquer pessoa pode encontrar milhares de vídeos sobre desenho na Internet, alguém poderia perguntar:

por que ainda é importante existir um curso presencial?

A resposta está justamente naquilo que a Internet não substitui completamente: a convivência artística.

Desenhar diante de um professor permite receber orientação imediata.

Desenhar ao lado de outros alunos permite observar diferentes soluções.

Mostrar um desenho para outras pessoas ajuda o aluno a vencer a timidez.

Ver alguém corrigindo o próprio desenho ajuda a compreender que errar faz parte do aprendizado.

E, principalmente, frequentar um espaço dedicado à arte cria uma rotina.

O jovem deixa de apenas "gostar de desenho" e passa a praticar desenho.

Essa mudança é fundamental.


O Estúdio como ambiente de inspiração


Existe ainda uma diferença importante entre fazer um curso de desenho em uma sala convencional e fazê-lo dentro de um estúdio ligado à animação.

No Estúdio Alexandre Martins, o aluno está cercado pela própria cultura visual que pretende aprender.

Ali convivem referências de desenho, personagens, animação, quadrinhos, ilustração e produção cultural.

O ambiente passa a funcionar como uma espécie de laboratório de imaginação.

Para um jovem interessado em desenho, entrar em um estúdio de animação pode produzir uma experiência que nenhum livro consegue reproduzir completamente:

"É aqui que esse tipo de trabalho acontece."

Essa percepção pode ser decisiva para alguém que ainda está descobrindo seu caminho profissional.


Do primeiro traço à profissão


O Curso de Desenho também pode ser compreendido dentro da história mais ampla do Estúdio.

Ao longo de sua existência, o Estúdio Alexandre Martins já recebeu profissionais que trabalharam com animação 2D, arte-final, ilustração e pintura, demonstrando que a formação no desenho está diretamente relacionada às diferentes funções existentes na produção visual.

A experiência profissional de muitos jovens profissionais registra atuação no Estúdio entre 1996 e 1998, incluindo animação 2D, arte-final, ilustração, pintura e assistência de direção.

Outros profissionais também passaram pelo Estúdio ao longo de sua história.

Isso ajuda a entender uma característica essencial:

o desenho não é apenas o começo do curso; é uma das bases da própria indústria da animação.


Jovens precisam de lugares onde possam criar


Há também uma dimensão social nessa proposta.

Uma cidade não desenvolve uma cultura artística apenas construindo grandes equipamentos culturais.

É preciso criar pequenos lugares de encontro, onde as pessoas possam aprender, experimentar e conviver.

O Estúdio Alexandre Martins oferece justamente essa possibilidade ao utilizar suas dependências também para atividades de formação artística.

Para um jovem, ter um local onde possa chegar com um caderno, um lápis e uma ideia pode parecer algo simples.

Mas é assim que muitas vocações começam.

  • Uma folha de papel.
  • Um lápis.
  • Um professor.
  • Um colega.
  • Uma correção.
  • Um desenho que finalmente dá certo.

E a vontade de fazer outro.


Arte como alternativa ao excesso de telas


Existe ainda uma ironia interessante em um curso oferecido por um estúdio de animação.

Vivemos cercados de telas.

Celulares, computadores, jogos, redes sociais, vídeos e inteligência artificial oferecem imagens em quantidade praticamente infinita.

Entretanto, justamente por isso, aprender a criar uma imagem com as próprias mãos tornou-se ainda mais valioso.

O desenho exige observação.

  • Exige concentração.
  • Exige coordenação.
  • Exige paciência.

E exige aceitar que o resultado não aparece instantaneamente.

O jovem aprende algo que nenhum aplicativo consegue fazer por ele:

aprender a olhar.

E aprender a olhar é uma das primeiras etapas para aprender a criar.


O professor e o atelier


A parceria com o Atelier Leonardo Santiago acrescenta à iniciativa essa dimensão artesanal da formação.

A palavra atelier possui uma tradição muito particular na história da arte.

Não é simplesmente uma sala de aula.

É um lugar de trabalho.

Um espaço onde se observa, experimenta, erra, corrige e produz.

É justamente essa cultura do fazer que pode ser transmitida aos alunos.

O objetivo não é transformar todos imediatamente em profissionais.

É ensinar o aluno a trabalhar com o desenho.

E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.

O talento pode despertar interesse.

Mas é a prática que constrói o artista.


O desenho como linguagem


Outro mérito de uma formação desse tipo é não limitar o desenho à reprodução.

Desenhar não significa somente copiar aquilo que está diante dos olhos.

É também interpretar.

  • Simplificar.
  • Exagerar.
  • Inventar.
  • Contar.
  • Comunicar.

Um personagem desenhado pode expressar personalidade.

  • Uma caricatura pode fazer rir.
  • Um storyboard pode explicar uma cena antes que ela seja filmada.
  • Uma história em quadrinhos pode narrar uma aventura.
  • Uma ilustração pode transmitir uma ideia.
  • Uma animação pode transformar desenhos em movimento.

Por isso, ensinar desenho é ensinar uma linguagem.


Uma ponte entre arte e animação


Essa talvez seja a característica mais original do Curso de Desenho realizado nas dependências do Estúdio Alexandre Martins.

O aluno encontra uma ponte entre dois universos que muitas vezes são apresentados separadamente:

Belas Artes e animação.

De um lado:

  • desenho de observação;
  • proporção;
  • forma;
  • volume;
  • composição;
  • expressão;
  • técnica.

Do outro:

  • personagens;
  • narrativa;
  • storyboard;
  • movimento;
  • quadrinhos;
  • animação.

A ponte entre eles é o desenho.


São Gonçalo também produz artistas


Há ainda uma mensagem cultural importante nessa iniciativa.

Durante muito tempo, jovens interessados em determinadas áreas artísticas precisavam olhar para o Rio de Janeiro ou para outros grandes centros em busca de cursos, professores, eventos e oportunidades.

O desenvolvimento de iniciativas locais ajuda a mudar essa lógica.

Hoje São Gonçalo possui diferentes espaços dedicados ao ensino do desenho e das artes visuais, demonstrando a existência de uma demanda artística significativa na cidade. Entre eles estão cursos e ateliers independentes dedicados ao desenho e à formação artística. Destec Curso de Desenhos Esboço Artes São Gonçalo

Nesse cenário, a presença do Estúdio Alexandre Martins possui um significado histórico particular.

Desde 1992, o Estúdio demonstra que é possível produzir animação em São Gonçalo.

Com o Curso de Desenho, demonstra também que é possível formar novos interessados em arte dentro da própria cidade.


Um investimento no futuro


Quando um adulto compra um curso de desenho para si, está investindo em sua própria formação.

Quando uma família coloca um jovem em um curso de desenho, pode estar fazendo algo ainda maior:

está oferecendo a ele uma possibilidade de futuro.

  • Talvez aquele aluno se torne ilustrador.
  • Talvez animador.
  • Talvez quadrinista.
  • Talvez designer.
  • Talvez professor.
  • Talvez artista plástico.

Ou talvez siga uma profissão completamente diferente e continue desenhando simplesmente porque descobriu ali uma forma de expressão.

Nenhuma dessas possibilidades diminui o valor da experiência.

Porque a arte não precisa necessariamente transformar-se em profissão para transformar uma pessoa.


Um estúdio que abre suas portas

É nesse ponto que o Curso de Desenho ganha seu significado mais amplo.

O Estúdio Alexandre Martins não está apenas ensinando uma técnica.

Ao abrir suas dependências para a formação artística, está permitindo que novos públicos conheçam por dentro um ambiente de produção cultural.

A criança ou o jovem que entra naquele espaço passa a perceber que animação, quadrinhos, ilustração e desenho não são coisas distantes, produzidas apenas por artistas que vivem em grandes centros.

São atividades que podem ser estudadas.

Praticadas.

Experimentadas.

E, quem sabe, transformadas em profissão.


Uma tradição que continua


Desde sua fundação em 1992, o Estúdio Alexandre Martins construiu uma trajetória marcada pela animação, pelos quadrinhos, pela realização de eventos culturais e pela formação de novos públicos.

O Curso de Desenho representa uma continuidade natural dessa história.

Se o Anima-São levou a animação para o público;

se o Dia do Quadrinho Nacional valorizou os quadrinhos;

se o Dia Internacional da Animação aproximou o público do cinema de animação;

o Curso de Desenho leva o público para dentro do próprio processo de criação.

E essa diferença é fundamental.

Não se trata apenas de assistir.

Trata-se de fazer.

Não apenas de conhecer artistas.

Trata-se de aprender com artistas.

Não apenas de admirar uma animação.

Trata-se de descobrir como nasce uma imagem.


Um lápis pode ser o começo de uma história


Talvez seja essa a melhor maneira de compreender a parceria entre o Estúdio Alexandre Martins e o Atelier Leonardo Santiago.

Ela coloca à disposição dos jovens algo extremamente simples e, ao mesmo tempo, extremamente poderoso:

um lugar para desenhar.

Num mundo de imagens instantâneas, oferecer tempo para desenhar é uma forma de resistência.

Num mundo de consumo de conteúdo, ensinar a criar é uma forma de autonomia.

E numa cidade que possui uma enorme população jovem, oferecer um espaço de formação artística significa apostar no futuro.


Por isso, mais do que um curso, a iniciativa pode ser compreendida como uma ação de promoção da arte, da criatividade e da cultura entre os jovens de São Gonçalo.


O Estúdio Alexandre Martins nasceu fazendo desenhos animados.

Hoje, ao abrir suas portas para o ensino do desenho, ajuda uma nova geração a descobrir aquilo que está na origem de toda essa história:

antes de o desenho se transformar em animação, ele precisa nascer na mão de alguém.

E talvez, entre os alunos que hoje colocam seus primeiros traços no papel, esteja começando a história de um futuro animador, ilustrador, quadrinista ou artista.

Tudo começa com um lápis.

E, às vezes, tudo começa também com uma porta que alguém decidiu abrir.

curso de desenho